Para comemorar nosso 7 aniversário de namoro, eu literalmente olhei a lista de aeroportos que ainda não tinha ido e escolhi Hervey Bay (Jetstar $586 ida e volta – 3 pessoas). Uma vez com a passagem comprada, vi que o local mais interessante para conhecer ali seria K´gari Island – até o ano passado conhecida como Fraser Island mas agora readotou o nome originário.
DIA 1:
Saímos na Sexta feira com 1 hora de atraso e o vôo durou 1h45min. Na hora do embarque, recebi uma ligação da Sea Link dizendo que a balsa adiantaria meia hora, ou seja, seria correria com certeza! Avisei a locadora do carro – Safari 4WD Hire e foi tudo bem. Meu filho resolveu dormir só na hora que o avião pousou – literalmente – e meu noivo foi lá buscar o carro que ficava 5 minutos andando do aeroporto enquanto eu esperava a cadeirinha do carro sair na esteira – levamos a nossa pois é de graça pela cia aérea e custa caro para alugar na locadora de carro. Pagamos $780 o carro para 4 dias – eles cobram por pessoa e a diária não importa a hora que você pega o carro, conta o dia todo – pegamos Sexta a tarde e devolvemos na Segunda de manhã e isso foi considerado 4 dias. Na hora da locação, eles passam um vídeo com várias informações importantes da ilha pois lá só entra 4×4 e apenas 4 empresas tem a licença para operar lá: Aussie Trax, Dingo e Atlas – além da Safari que escolhemos por ter sido a melhor custo benefício e termos tido um bom atendimento. Vídeo assistido, informações do carro passadas, filho acordou, tudo pronto para correr e pegar a balsa. O trajeto do aeroporto até River Heads da onde ela sai leva apenas 15 minutos. Deu certo, chegamos a tempo porém não conseguimos comprar nada no supermercado como gostaríamos e sabia que na ilha tudo seria mais caro – e foi! Ah, tiramos também uma licença para o carro poder entrar na ilha no site do estado de Queensland que é válida por um mês e custou $57.80 – não inclusa na locação.

A balsa leva 1 hora para cruzar e é bem tranquila. Chegamos no Kingfisher Bay Resort mas optamos por ficar no resort do outro lado da ilha, perto do que iríamos ver. O K’gari Beach Resort em Eurong custou $737 (3 noites – 2 adultos e criança free) e ele fica 1 hora de estrada de terra da onde a balsa chega. Quando fechamos o resort, eles estavam com uma promoção de incluir a balsa – que pelo que eu tinha visto custava $300 ida e volta (mas na confirmação que eles mandaram estava só $160, não sei se é desconto deles).


Chegamos no hotel já fim do dia e a estrada mesmo que sem iluminação e um pouco de chuva, foi de boa. Fomos rapidinho ali ver a praia e o resort tinha uma cerca para impedir os dingos de entrarem, além de ser necessário levar tipo um cano fininho para afastá-lo caso ele decida se aproximar. Os dingos são um cachorros selvagens comuns em alguns lugares na Austrália – incluindo a K´gari Island. Pedimos uma pizza no restaurante do hotel (ruim) e fomos dormir.
DIA 2:
Acordamos cedo, compramos uns pãezinhos na padaria do resort e fomos explorar a ilha. Eu tive bastante dificuldade de fazer o roteiro pois todo lugar que lia falava que era muito difícil andar por lá, que com certeza iríamos atolar, que as estradas de 4×4 eram complicadas e tals então eu só tinha marcado dois lugares que eu queria muito ir – e para minha surpresa deu para fazer muitooooooo mais! Os trajetos mais complicados e longos, são pela parte de dentro da ilha pois ela não tem asfalto em nenhuma parte – e é a maior ilha de areia do mundo! – porém se for pela praia é bem tranquilo e rápido. Quando você aluga o carro, eles te dão um papel com a tábua de marés que no nosso caso podíamos ir pela praia chamada 75 Mile Beach das 7 da manhã até 1:30pm e aumentando 30 minutos a cada dia.
Andamos uns 25 minutos até chegar em Eli Creek e foi lá também nosso primeiro encontro com um dingo. Descemos do carro e ele veio andando tranquilamente na nossa direção – ele não tem cara de bravo, pelo contrário, parece que tá pedindo carinho mas não se deixe enganar. Vini achou um pedaço de madeira e eu peguei o Thomas no colo já que ele ama animais e achou que poderia abraçar esse também rs. Nisso chegou um carro dos Rangers da ilha meio que tocando o dingo e ele saiu de boa (escrevendo isso parece que foram os Power Rangers que salvaram o dia hahaha). Ele nos explicou que não devemos nunca correr dele ou virar as costas e sim se juntar e ficar olhando pra ele sempre com um pedaço de madeira/cano na mão por via das dúvidas. Eles costumam atacar pessoas sozinhas em trilhas principalmente e crianças pequenas que estejam longe dos cuidadores por isso era sempre bom ficar alerta.




O tempo estava meio nublado mas mesmo assim decidimos entrar nessa água verdinha – e que não estava gelada! O pessoal costuma levar aquelas bóias e descer o rio mas nós não tínhamos e ficamos nadando ali de boa mesmo. Ele é bem rasinho na maior parte então foi bem tranquilo. Ficamos um tempão lá só a gente até começar a chegar algumas pessoas e seguimos nosso caminho.
Cinco minutinhos dali tem um navio que naufragou em 1935 – o S. S. Maheno. Uma parte dele está dentro da areia e permanecem os destroços a vista que dependendo da maré dá para ver mais ou menos. Importante: não pode entrar no navio pois não tem garantia nenhuma que partes dele não vão se soltar/cair/desmontar, então não arrisque. Fora que o mar é bem bravo e inclusive não se pode nadar nas praias da ilha por isso e também pela quantidade de tubarões que ali habitam – nós vimos 3 baleias bem próximas a areia então imagino que também seja bem fundo.


Mais cinco minutinhos e a próxima parada foi no The Pinnacles – uma formação de areia bem amarela e depois no Red Canyon – aonde a areia é super vermelha. Dois pontos interessantes de parar afinal estão no caminho e são algo diferente do que vemos no dia a dia.



Ainda era cedo e eu queria muito ir a Champagne Pools mas como o tempo estava muito nublado e também não daria tempo de chegar lá, curtir e voltar pela praia decidimos ir conhecer um dos diversos lagos da ilha: Lake Allom – famoso pelas diversas tartaruguinhas marítimas e sua cor amarronzada. Voltamos meia hora pela praia até os The Pinnacles e lá fomos por mais meia hora de estrada de terra. Chegando lá, descobri que teríamos que fazer uma trilha de uns 30 minutos para chegar no lago e infelizmente não daria tempo de voltar pela praia – o que seria uma meia hora pela praia se transformaria em 2h30 de estrada de terra. Desistimos da missão e voltamos pro hotel.
Almoçamos no buffet lá ($30 pp come a vontade) e estava muito ruim também – isso é um ponto negativo pois como tudo é afastado e isolado, você fica limitado a comer na sua acomodação que no nosso caso deixou a desejar com a comida. Caminhamos pela praia mais um pouco e não deu coragem de entrar na piscina pois estava meio frio já. A noite pedimos uma pizza de novo e dormimos.
DIA 3:
Acordamos animados porque a previsão era de que finalmente teríamos sol e então fomos diretão pela praia até Champagne Pools – que eu inicialmente tinha desistido de ir porque no mapa dava 4h pra ir e mais 4h pra voltar por estrada de terra – até chegar na ilha e descobrir que era possível como comentei com vocês. Levamos cerca de 1h10 até lá e novamente o lugar era todo nosso – depois de um tempo chegou uma excursão então fica essa dica, saiam cedo do hotel para terem exclusividade!


O sol ficou brincando de esconde esconde com a nuvem mas de novo, impossível não entrar na água que tinham partes quentinhas até além de vários peixinhos – um aquário a céu aberto. Outra coisa que achei interessante, não dá para nadar na praia mas sim nessas piscinas naturais formadas pelo mar que entra pelas pedras . Mesmo sendo mar não tive a sensação de “grudar” quando sai da água e nem dela ser salgada.




Decidimos tentar conhecer um outro lago e escolhemos o Lake Wabby por ser perto do hotel para dar tempo de depois voltar pela praia. Rodamos, rodamos e rodamos sem achar o lugar certinho do lago pois não é o que está marcado no mapa e como lá não tem sinal de telefone – só Telstra em alguns lugares – eu tinha baixado o mapa offline e não conseguia fazer nenhuma consulta. Tem várias partes que tem placas indicando lugares mas para esse lago específico, não conseguimos achar/chegar e vimos placa para um outro: Lake Birrabeen – conhecido por ser bem parecido com principal lago da ilha, o Lake McKenzie, mas muito menos cheio – e fomos pra lá.
Chegando lá, já era fim de tarde e não tinha ninguém no lago – uma paz sem fim, muito gostoso. Água cristalina e bem rasinho. Ficamos até o fim do dia e seguimos depois por 40 minutos de estrada de terra até o hotel. Super recomendo!

Como esse era o dia do nosso sétimo aniversário de namoro, “saímos” (hahaha) em família pra jantar no restaurante do hotel mas dessa vez a la carte e foi a primeira vez que gostamos da comida. Eu pedi uma parmegiana e o Vini uma carne – aprovado! Depois colocamos o Thomas para dormir e ficamos ali jogando sinuca e tomando uma – nosso quarto era literalmente na frente do restaurante e ligamos a câmera também para ficar de olho nele. O céu estava surreal de lindo, mega estrelado – imagino para aqueles que estavam acampando na praia. Sim, tem diversos pontos de camping sem nenhuma estrutura pelo caminho todo, você precisa levar seu próprio banheiro, fogãozinho, comida lógico e também pagar uma taxa de camping. A gente não escolheu essa opção, uma por ser inverno e outra por conta dos dingos poderem mexer na comida – ou acabarem atacando a barraca, mas deve ser uma experiência e tanto!



DIA 4:
Nossa balsa de volta era inicialmente as 7:50 da manhã mas mudamos para 11:30 porque esse seria o dia mais ensolarado da viagem e queríamos ver a principal atração – o Lake McKenzie – no seu melhor dia e valeu super a pena. Fizemos check out do hotel e meia horinha estávamos no lago – de novo, só nosso. A ilha estava bem vazia no geral, provavelmente por ser inverno e também uma semana antes de um feriado.

O Boorangoora – ou Lake McKenzie – me lembrou muito as praias da região de Jervis Bay em NSW – areia branquinhaaaaa, água cristalina com diversos tons de azul! A maior diferença é que não é gelada como o mar de lá hehe e apesar de parecer muito com uma praia, é um lago. Ficamos a manhã toda ali antes de dirigirmos por mais meia hora até o Kingfisher Bay Resort, da onde saia nossa balsa.





O trajeto levou uma hora e conseguimos ver golfinhos – e eu acho que tinha tubarão também! Uma coisa para se notar é o ponto de saída e chegada da ilha pois nem sempre as balsas saem do mesmo lugar. Outra coisa é que tem poucos pontos tem gasolina no caminho da ilha – a gente não precisou abastecer lá, deu para esperar chegar no continente. Chegando em terra firme de novo, fomos lavar o carro e o aeroporto fica 15 minutinhos da onde a balsa chega. Lavamos o carro, abastecemos ($130 de gasolina) e aproveitamos para comer uma torta – clássico almoço australiano – no Pie Pastry Paradise e super recomendo, muito boas e baratas e também ficam literalmente do lado do self car wash. Devolvemos o carro, chegamos no aeroporto e… nosso vôo atrasou! A cada hora que passava, adiavam mais uma hora – no total foram 3 de espera que teria dado para conhecer o centrinho de Hervey Bay mas paciência.



Pela ilha tem mais alguns lagos além dos que mencionei outros como o Basin Lake, Lake Boomanjin e Ocean Lake além de muitas árvores lindas e diferentes e diversas trilhas para fazer a pé também. Um prato cheio para os amantes da natureza! Caso você queira, também tem a opção de tours de 1 ou mais dias para conhecer K´gari Island sem se preocupar com dirigir – o que nós particularmente achamos bem tranquilo.



No total investimos uns $390 em comida para os 4 dias – que teria sido menos se tivéssemos comprado no supermercado de Hervey Bay, além dos outros valores mencionados no decorrer da postagem. Não é uma viagem barata – eu só percebi conforme fui agendando as coisas mas achei uma experiência bem legal, lugares bem bonitos e valeu a pena. Recomendo!
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